{"id":1110,"date":"2007-07-19T15:13:32","date_gmt":"2007-07-19T13:13:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.joseph-wresinski.org\/en\/a-ultima-mensagem-aos-voluntarios\/"},"modified":"2017-05-17T18:03:43","modified_gmt":"2017-05-17T16:03:43","slug":"a-ultima-mensagem-aos-voluntarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.joseph-wresinski.org\/en\/a-ultima-mensagem-aos-voluntarios\/","title":{"rendered":"A \u00faltima mensagem aos volunt\u00e1rios."},"content":{"rendered":"<p>Esta mensagem foi por ele gravada numa cassete, no Hospital Foch, em Suresnes, no dia 8 de Fevereiro de 1988, nas v\u00e9speras da sua opera\u00e7\u00e3o. O padre Joseph veio a morrer no dia 14 de Fevereiro do mesmo ano.<\/p>\n<p>\u201cNas v\u00e9speras de uma opera\u00e7\u00e3o como aquela que vou fazer, ali\u00e1s vou com toda a confian\u00e7a, n\u00e3o ofere\u00e7o resist\u00eancia e, como j\u00e1 disse \u00e0 Gabrielle, \u00e0 senhora de Vos, \u00e0 Mary e a todos os que me vieram visitar : quando se est\u00e1 assim como eu, por agora, entre as m\u00e3os das enfermeiras e dos m\u00e9dicos, sinto que vivo o que vivem os pobres, no seu dia a dia, pois est\u00e3o \u00e0 merc\u00ea, (a palavra \u00e9 forte demais) v\u00eaem-se obrigados a ter sempre em considera\u00e7\u00e3o o parecer, a opini\u00e3o ora deste ora daquele, no que toca \u00e0 sua pr\u00f3pria vida. Quando somos obrigados a depender de toda a gente, devemos fazer-nos pequeninos e, sobretudo, n\u00e3o dar nas vistas.<\/p>\n<p>Posso dizer-vos que nos devemos manter muito, muito perto das fam\u00edlias e permanecer fi\u00e9is ao nosso combate familiar. N\u00e3o porque sejamos pessoas de princ\u00edpios, mas sim porque, se a fam\u00edlia for nossa aliada, ser\u00e1 ela que nos vai permitir realizar a sociedade de direito que procuramos. Devemos, sobretudo, manter-nos muito, muito perto das fam\u00edlias mais desfavorecidas, pois temos sempre a tenta\u00e7\u00e3o de nos apoiarmos nos elementos mais din\u00e2micos, mais corajosos, mais inteligentes. \u00c9 evidente que devemos apoiar-nos neles, mas n\u00e3o nos devemos deixar comandar nem possuir por eles. Eles n\u00e3o devem tornar-se num obst\u00e1culo que se atravessa entre os mais pobres e n\u00f3s. Devemos estar atentos a que tamb\u00e9m eles se tornem \u201cfazedores\u201d de direito, no meio de seus irm\u00e3os e irm\u00e3s, no seu pr\u00f3prio meio. Para evitar que nos deixemos levar por ac\u00e7\u00f5es dispersas, sem rei nem roque, devemos ter sempre presente a seguinte quest\u00e3o : a ac\u00e7\u00e3o que conduzimos permite aos mais desfavorecidos sair da situa\u00e7\u00e3o em que se encontram e tornar-se agentes dos direitos humanos ?<\/p>\n<p>N\u00e3o temos que ter medo de ser ousados, mesmo se pensamos (o que ali\u00e1s est\u00e1 certo) que a popula\u00e7\u00e3o mais pobre n\u00e3o \u00e9 capaz, logo de entrada, de assumir o que lhe apresentamos. Isto exige, muito simplesmente, que avancemos por etapas. Ora n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel avan\u00e7ar por etapas sem programar. Temos que saber qual \u00e9 o nosso objectivo e quais os meios de que dispomos para o atingirmos. Tornar as pessoas livres, livres no interior da sua pr\u00f3pria sociedade, como agentes de liberdade para os outros, isto exige que transmitamos os valores da cultura que \u00e9 nossa, os valores que d\u00e3o alma \u00e0s nossas vidas. Isto pressup\u00f5e que transmitamos os conhecimentos que s\u00e3o nossos, que os partilhemos e que inventemos meios que permitam esta comunica\u00e7\u00e3o, esta partilha, para que as fam\u00edlias mais pobres os possam assumir.<\/p>\n<p>N\u00f3s n\u00e3o podemos ser pessoas que trazem consigo unicamente ideias e uma linguagem, devemos tamb\u00e9m ser pessoas que trazem nelas a plenitude do homem, a harmonia do homem e, por conseguinte, pessoas que trazem consigo a arte, a poesia. N\u00e3o podemos limitar-nos a ser gente de t\u00e9cnicas. Por esta raz\u00e3o, devemos impregnar-nos de tudo o que os homens nos legaram de mais acabado como express\u00e3o musical, como pintura&#8230;\u00c9 necess\u00e1rio p\u00f4r as pessoas no centro da natureza, levando-as a am\u00e1-la, a pressentir a harmonia da terra e do c\u00e9u.<\/p>\n<p>Na medida em que a f\u00e9 nos anima, devemos tamb\u00e9m projectar as fam\u00edlias mais pobres no mundo invis\u00edvel, no mundo do infinito, de maneira a que se tornem membros, n\u00e3o s\u00f3 de uma comunidade ou de um bairro, mas tamb\u00e9m do universo e que a\u00ed sejam actores de liberdade.<\/p>\n<p>Isto requer que estejamos, realmente, integrados no mundo, que amemos o mundo. N\u00e3o se trata de agir como cegos, como quem n\u00e3o v\u00ea os defeitos dos homens. Mas devemos ter sempre em mente que todo o homem tem direito \u00e0 nossa confian\u00e7a, enquanto n\u00e3o tivermos provas do contr\u00e1rio. Devemos interessar-nos pelos debates pol\u00edticos, filos\u00f3ficos ; devemos amar os homens que se batem por uma f\u00e9, por um ideal. Devemos tomar parte na esperan\u00e7a de todos os que lutam, sem nos deixarmos tomar por parvos, sem esquecer que \u00e9 preciso lembrar-lhes, constantemente, que o mais pobre deve ocupar um lugar no seu combate e no seu pensamento.<\/p>\n<p>Nada disto se pode atingir, se pode obter sem um grande esfor\u00e7o da nossa parte. Um grande esfor\u00e7o para conhecermos a popula\u00e7\u00e3o, as fam\u00edlias mais pobres, para conhecermos a sua hist\u00f3ria, o seu meio, as suas origens, a hist\u00f3ria do que vivem, presentemente, no seu dia a dia.<\/p>\n<p>Devemos procurar comungar naquilo que as famlias trazem em si de mais profundo &#8230; n\u00e3o estou a falar de uma comunh\u00e3o superficial, mas de uma comunh\u00e3o em profundidade. Temos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o os instrumentos que \u00e9 preciso empregar, utilizar : a psicologia, a sociologia, a economia&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos introduzir os mais pobres no mundo de hoje e de amanh\u00e3, se n\u00f3s mesmos o n\u00e3o estamos. \u00c9 verdade que n\u00e3o temos a ci\u00eancia infusa, mas n\u00e3o devemos neglicenciar nenhuma delas. Pois querer construir homens livres \u00e9 querer dar-lhes, \u00e9 permitir-lhes dominar com mestria os instrumentos de que os homens se t\u00eam servido, ao longo dos tempos, para poderem criar um mundo mais justo, mais igualit\u00e1rio, uma terra onde a paz seja vivida como um ideal e, sobretudo, como uma realidade entre uns e outros, j\u00e1 que todos n\u00f3s fazemos, no nosso dia a dia, a experi\u00eancia, sempre renovada e avaliada, do amor entre todos.<\/p>\n<p>Conhecer implica ouvir, escutar e escrever. Mesmo se n\u00e3o nos limitamos a ser pessoas que escrevem, que l\u00eaem e tomam a palavra, temos, todavia, que ser pessoas que transmitem pela escrita o conhecimento, a sabedoria que nos vem das fam\u00edlias mais pobres. Temos que ser pessoas que tomam a palavra, para que os homens que encontramos sejam levados a lutar por uma justi\u00e7a a restituir aos mais pobres, para que a justi\u00e7a seja, verdadeiramente, restabelecida em terras de mis\u00e9ria. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m devemos ler regularmente, para nos formarmos.<\/p>\n<p>O nosso tempo deve pertencer \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais pobre. \u00c9 normal que quem trabalha tenha f\u00e9rias. \u00c9, pois normal que tamb\u00e9m n\u00f3s tiremos f\u00e9rias. N\u00e3o \u00e9 nada normal que hesitemos em aproveitar daquilo que \u00e9 indispens\u00e1vel aos outros para se repousarem e que constitui um direito.<\/p>\n<p>Todavia, o nosso tempo, como para os que se amam, n\u00e3o nos pertence. E, se guardamos algum tempo para n\u00f3s, deve ser, para que o enriquecimento que da\u00ed nos vem possa enriquecer os mais pobres. Conhecer a popula\u00e7\u00e3o mais pobre, procurar instruir-se, cuidar da nossa forma\u00e7\u00e3o pessoal, dar o nosso tempo e, para aqueles que rezam, dar a nossa ora\u00e7\u00e3o : eis o que nos deve ocupar. \u00c9 importante que vivamos num clima de espiritualidade. Quando falo de espiritualidade, n\u00e3o me refiro \u00e0 escolha desta ou daquela religi\u00e3o, embora seja importante que tenhamos uma f\u00e9 ; se n\u00e3o temos f\u00e9 em Deus, que, ao menos, a tenhamos nos homens.<\/p>\n<p>Temos que estar possu\u00eddos pela exig\u00eancia de criarmos um clima de espiritualidade, porque o esp\u00edrito deve habitar-nos. O esp\u00edrito \u00e9 uma esp\u00e9cie de sentido do outro, uma esp\u00e9cie de comunh\u00e3o com o outro e, quanto mais o outro \u00e9 pequeno e fraco tanto mais o esp\u00edrito que nos habita o torna importante e grande para n\u00f3s. Falar de espiritualidade implica, imediatamente, fazer refer\u00eancia \u00e0 religi\u00e3o, \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com Deus. Podemos dizer que isto \u00e9 a fina flor da espiritualidade, o supra-sumo. Mas tamb\u00e9m temos que viver uma espiritualidade de rela\u00e7\u00e3o entre homens, o que significa uma certa maneira de olhar os homens, de nos comportarmos para com eles. Do mesmo modo que nos pomos em estado de contempla\u00e7\u00e3o e de ora\u00e7\u00e3o em presen\u00e7a de Deus, que tentamos fazer sil\u00eancio e aproximar-nos o mais poss\u00edvel de Deus para fazermos um s\u00f3 com Ele, como algu\u00e9m disse um dia : \u201cEu avirso-O e Ele avisa-me.\u201d<\/p>\n<p>Assim, devemos ter a espiritualidade de nossos irm\u00e3os. Quer isto dizer que temos que conseguir viver de uma determinada maneira com os outros, que os outros contam para n\u00f3s, que nos identificamos com eles, porque s\u00e3o como n\u00f3s, pois travam exactamente o mesmo combate, t\u00eam as mesmas dificuldades, as mesmas d\u00favidas, os mesmos sofrimentos, as mesmas m\u00e1goas e tamb\u00e9m as mesmas esperan\u00e7as e alegrias que n\u00f3s. A espiritualidade consiste em apurar o nosso esp\u00edrito ; \u00e9 desprender-se do que \u00e9 secund\u00e1rio para nos agarramos ao que \u00e9 absolutamente essencial, ao essencial de n\u00f3s mesmos, ao essencial dos outros, ao essencial do combate. A espiritualidade \u00e9 ter confian\u00e7a na fraternidade, como base fundamental do \u00eaxito de todos os nossos combates ; \u00e9 o facto dos mais pobres nos seguirem, na medida em que virem que somos, verdadeiramente, unidos, que nos amamos, verdadeiramente ; \u00e9 uma maneira de sentir, uma maneira de viver, uma for\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>S\u00e3o os pobres que nos reunem. Para os que t\u00eam f\u00e9, \u00e9 Cristo que se aproxima de n\u00f3s, quando nos aproximamos dos pobres. \u00c9 Cristo que fala connosco, quando falamos aos pobres. \u00c9 Ele que sente o que sentimos, que carrega juntamente com os pobres o peso da mis\u00e9ria, do sofrimento. Penso que \u00e9 isto a espiritualidade. H\u00e1, por exemplo, a espiritualidade franciscana que tem como base a medita\u00e7\u00e3o, a reflex\u00e3o, a pobreza. Um franciscano, que o \u00e9, deve ser pobre, profundamente pobre. N\u00e3o lhe pode bastar ser pobre, pois tem que ir mais al\u00e9m ; tem que desejar a pobreza com ardor. S\u00e3o Francisco de Assis falava mesmo em desposar a pobreza, a Dama Pobreza, como ele dizia. Queria, assim, mostrar que a pobreza, mais do que um estado, \u00e9 uma pessoa ; queria mostrar que Cristo se identificava com a pobreza e que ser pobre, mais do que parecer-se com Cristo, \u00e9 desposar o pr\u00f3prio Jesus, em carne e osso, na pessoa do pobre. Ele que na Gl\u00f3ria de Deus Pai, assume todo o cosmos, tudo o que existe como sofrimento, dor, desespero, doen\u00e7a ; Ele que assume tudo o que existe como rejei\u00e7\u00e3o, como ferida.<\/p>\n<p>Penso que podemos dizer que \u00e9 o pobre, o mais pobre, o mais sofredor, o mais desamparado, o mais rejeitado, o mais abandonado quem nos reune a todos. De igual modo, quando dizemos que somos volunt\u00e1rios, n\u00e3o nos referimos apenas a um estado que aceitamos ou que escolhemos para estarmos ao dispor dos mais pobres, para sermos instru\u00eddos por eles. Diga-se que, por vezes, nos ensinam coisas que nos deixam de boca aberta. N\u00e3o podemos limitar-nos a dizer que nos priv\u00e1mos, que renunci\u00e1mos a uma promo\u00e7\u00e3o social, a uma carreira cheia de \u00eaxito, pois ser volunt\u00e1rio quer dizer muito mais do que isso. Quer dizer que fizemos dos pobres nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s. Os seus filhos s\u00e3o nossos filhos. Vivemos em constante comunh\u00e3o com eles. Est\u00e3o presentes em n\u00f3s. Reconhecemos e contemplamos a sua presen\u00e7a, na medida em que os consideramos como sendo os nossos mestres, o nosso modelo, mas tamb\u00e9m a nossa ang\u00fastia, o nosso sofrimento, a nossa inquieta\u00e7\u00e3o. O cuidar da sua liberta\u00e7\u00e3o habita-nos, em perman\u00eancia. Para n\u00f3s, a espiritualidade \u00e9 isto : estar em esp\u00edrito, ter o nosso esp\u00edrito apanhado pela popula\u00e7\u00e3o mais pobre e encarar tudo o que fazemos, tudo o que dizemos como uma grande oportunidade, uma grande esperan\u00e7a a oferecer-lhe.<\/p>\n<p>No fundo, quando dizemos que estamos habitados pelo esp\u00edrito, isso quer dizer que estamos habitados pela popula\u00e7\u00e3o, pelas aspira\u00e7\u00f5es profundas que lhe v\u00e3o na alma. Para os que, dentre n\u00f3s, t\u00eam f\u00e9 s\u00e3o os pobres que nos devem conduzir a Cristo. S\u00e3o Francisco, ao ser a pobreza em pessoa, revestia-se de Cristo. Ali\u00e1s, esta \u00e9 uma das raz\u00f5es que nos leva, muitas vezes, a chocar as pessoas, porque n\u00e3o conseguem aceitar que Cristo se tenha identificado com os mais pobres. Hoje, a identifica\u00e7\u00e3o de Cristo com o pobre \u00e9 coisa aceite, quando se diz : esta identifica\u00e7\u00e3o \u00e9 o prisma, o ponto de vista ideal para se ver Cristo, pois s\u00e3o os mais pobres quem nos conduz a Cristo, exactamente, como Ele quis ser, a Cristo na maior das nudezas, \u00e0 merc\u00ea do maior dos sofrimentos, do maior dos abandonos, da mais total das exclus\u00f5es&#8230; \u201c<\/p>\n<p>Padre Joseph Wresinski<\/p>\n<p><i>Tradu\u00e7\u00e3o de Carlos Rodrigues<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta mensagem foi por ele gravada numa cassete, no Hospital Foch, em Suresnes, no dia 8 de Fevereiro de 1988, (&#8230;) <a class=\"more-link\" href=\"https:\/\/www.joseph-wresinski.org\/en\/a-ultima-mensagem-aos-voluntarios\/\">Read more <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2204,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"ep_exclude_from_search":false,"footnotes":""},"categories":[59],"tags":[],"class_list":["post-1110","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-portugues"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.9 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>A \u00faltima mensagem aos volunt\u00e1rios. - Joseph Wresinski EN<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.joseph-wresinski.org\/en\/a-ultima-mensagem-aos-voluntarios\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A \u00faltima mensagem aos volunt\u00e1rios. - Joseph Wresinski EN\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Esta mensagem foi por ele gravada numa cassete, no Hospital Foch, em Suresnes, no dia 8 de Fevereiro de 1988, (...) 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